Efeito da dupla tarefa no desempenho da agilidade: estudo comparativo entre jogadores de futebol e não atletas

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2025

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IPCB. ESALD

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Introdução: A capacidade de realizar movimentos rápidos e mudar de direção em resposta a estímulos é crucial na alta competição. Essa habilidade divide-se em mudança de direção planeada, baseada em atributos físicos, e agilidade reativa (AR), dependente de fatores cognitivos e percetivos. A AR está relacionada à adaptação sensório-motora, que permite respostas rápidas em ambientes dinâmicos, devido à plasticidade neural. No futebol de elite, o aumento da frequência de jogos tem causado sobrecarga nos atletas, elevando o risco de lesões, o que afeta o desempenho das equipas e gera custos elevados. A teoria da dupla tarefa (DT) explica como o cérebro divide recursos limitados ao executar múltiplas ações simultâneas, revelando os desafios cognitivos envolvidos. A agilidade é essencial no desporto e no nosso dia a dia, nesse sentido deve ser analisada sob esta ótica para permitir a adoção de estratégias de treino e monitorização adequadas para prevenir lesões. Dessa forma, e considerando a escassez de estudos focados na agilidade em condições de dupla tarefa no contexto do futebol, a realização deste estudo torna-se relevante para a identificação precoce de estratégias de otimização da agilidade durante a DT. Objetivos: Analisar e comparar o efeito da dupla tarefa no desempenho da agilidade entre atletas de futebol federados e jovens adultos saudáveis que não pratiquem qualquer atividade desportiva. Materiais e Métodos: Foram recrutados 65 participantes, de acordo com os critérios de elegibilidade, com idades médias de 18,56 ± 1,56 anos. Desses participantes, 25 eram atletas e 40 não atletas. Todos os participantes preencheram o consentimento informado. Cada participante, realizou 2 tarefas simples e 2 DT para se extraírem dados de agilidade. A agilidade foi avaliada através do tempo de execução do Teste T de agilidade e do Teste de agilidade de Illinois em tarefa simples e com a realização simultânea de cálculos aritméticos (dupla tarefa). Também se usou o questionário Internacional da Atividade Física – versão curta para comparar o desempenho da agilidade com os diferentes níveis de atividade física do grupo dos não atletas, nas diferentes tarefas. A análise estatística dos dados foi realizada através do SPSS versão 30.0 para Windows com um nível de significância de p<0,05. Resultados: Os atletas apresentaram um melhor tempo de execução (melhor agilidade) em ambos os testes de agilidade, em condições de tarefa simples e de dupla tarefa, comparativamente aos não atletas (p<0,05). Em ambos os testes de agilidade, houve um declínio do desempenho da agilidade da tarefa simples para a DT em cada um dos grupos (p<0,05). Apenas se verificou diferença no custo da dupla tarefa no teste de Illinois entre os atletas e os não atletas, sendo que os não atletas apresentaram um maior custo de dupla tarefa (p<0,05). Numa análise realizada apenas no grupo dos não atletas, não foram identificadas diferenças significativas entre o nível de atividade física e o desempenho da agilidade em condições de tarefa simples e de DT (p > 0,05). Conclusão: O desempenho da agilidade diminuiu das tarefas simples para as condições de DT, em ambos os grupos, no entanto, os não atletas apresentam pior desempenho. O custo de DT do teste de Illinois, indicou um declínio maior do desempenho de agilidade durante a dupla tarefa, relativamente à tarefa simples nos não atletas, comparativamente aos atletas. Recomendam-se estudos futuros com grupos mais homogéneos, que investiguem o efeito da DT na agilidade em diferentes modalidades desportivas, populações, tipos de tarefas cognitivas e graus de dificuldade, visando uma compreensão mais consistente do impacto da DT no desempenho motor (agilidade) e cognitivo.
Abstract : Introduction: The ability to perform rapid movements and change direction in response to stimuli is crucial in high-level competition. This skill is divided into planned change of direction, which relies on physical attributes, and reactive agility (RA), which depends on cognitive and perceptual factors. RA is associated with sensorimotor adaptation, enabling quick responses in dynamic environments due to neural plasticity. In elite football, the increasing frequency of matches has led to athlete overload, elevating the risk of injury, negatively impacting team performance, and incurring high costs. The dual-task (DT) theory explains how the brain allocates limited resources when performing multiple tasks simultaneously, revealing the cognitive challenges involved. Agility is essential in sports and daily life and should therefore be analyzed from this perspective to support the development of appropriate training and monitoring strategies for injury prevention. Given the scarcity of studies focused on agility under DT conditions in football contexts, this study becomes relevant for the early identification of strategies to optimize agility performance during DT. Objectives: To analyze and compare the effect of dual-task conditions on agility performance between federated football athletes and healthy young adults who do not engage in regular physical activity. Materials and Methods: Sixty-five participants were recruited based on eligibility criteria, with a mean age of 18.56 ± 1,56 years. Among them, 25 were athletes and 40 were non-athletes. All participants provided informed consent. Each participant performed two single tasks and two dual tasks to assess agility. Agility was measured using the execution time of the T Agility Test and the Illinois Agility Test, under both single-task and dual-task conditions, the latter involving concurrent mental arithmetic. The short-form International Physical Activity Questionnaire (IPAQ-SF) was also administered to compare agility performance across different physical activity levels within the non-athlete group. Statistical analysis was performed using SPSS version 30.0 for Windows, with a significance level set at p < 0.05. Results: Athletes demonstrated significantly better execution times (i.e., greater agility) in both agility tests under single-task and dual-task conditions compared to non-athletes (p < 0.05). Both groups showed a decline in agility performance from single-task to dual-task conditions (p < 0.05). A significant difference in dual-task cost was observed only in the Illinois Agility Test between athletes and non-athletes, with non-athletes exhibiting a higher dual-task cost (p < 0.05). Within the non-athlete group, no significant differences were found in agility performance across different physical activity levels, under either condition (p > 0.05). Conclusion: Agility performance declined from single-task to dual-task conditions in both groups; however, non-athletes exhibited poorer performance. The dual-task cost in the Illinois Agility Test revealed a greater decline in agility performance among athletes compared to athletes. Future studies are recommended with more homogeneous samples to investigate the effect of dual-tasking on agility across different sports, populations, cognitive task types, and levels of difficulty, aiming for a more comprehensive understanding of the impact of dual-tasking on motor (agility) and cognitive performance.

Description

Keywords

Agilidade, Dupla tarefa, Jogadores de futebol, Jovens não atletas, Agility, Dual-task, Football players, Non-athlete young adults

Citation

MARTINHO, Filipe Pereira (2025) - Efeito da dupla tarefa no desempenho da agilidade : estudo comparativo entre jogadores de futebol e não atletas. Castelo Branco : IPCB. ESALD. Trabalho de projeto de Fisioterapia.