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Recent Submissions
Resposta clínica da radioterapia em mulheres portadoras dos genes brca1 e brca2 no tratamento do cancro da mama: revisão sistemática da literatura
2025 - Horto, Maria Alice Gomes
Introdução: A neoplasia maligna da mama é mais prevalente no sexo feminino. Entre os diversos fatores de risco identificados, destacam-se as alterações genéticas, em particular, as mutações nos genes de suscetibilidade ao cancro da mama 1 (BRCA1) e 2 (BRCA2), que comprometem os mecanismos de reparação do ácido desoxirribonucleico (DNA) e aumentam o risco de desenvolvimento desta patologia. O tratamento baseia-se numa abordagem multidisciplinar, na qual a Radioterapia (RT) desempenha um papel fundamental, utilizando radiação ionizante para induzir danos celulares e promover a destruição das células tumorais, contribuindo assim
para a redução do risco de recidiva. No entanto, a resposta à RT pode variar em portadoras destas mutações genéticas, dada a função dos genes BRCA1 e BRCA2 na reparação dos danos induzidos pela radiação. Assim, a presente revisão sistemática tem como objetivo analisar a resposta clínica da RT em mulheres portadoras das mutações BRCA1 e BRCA2, comparando com não portadoras, de forma a contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e individualizadas. Materiais e métodos: O presente artigo consiste numa revisão sistemática da literatura, desenvolvida de acordo com a metodologia Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), com base na pesquisa realizada em diversas bases de dados, nomeadamente Pubmed, Google Académico, ScienceDirect, American Cancer Society e International Agency for Research on Cancer. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, utilizando o operador booleano “AND” e as seguintes palavras-chave: “Neoplasia mamária”, “Radioterapia”, “Gene BRCA1”, “Gene BRCA2” e “Efeito da radiação”. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, foram selecionadas 47 referências bibliográficas para elaboração da presente revisão. Resultados: Os estudos analisados demonstram que, embora as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentem a suscetibilidade ao desenvolvimento da neoplasia mamária (NM), a resposta clínica à RT é semelhante entre portadoras e não portadoras, tanto em termos de controlo local como de sobrevida global. Do mesmo modo, não se observou aumento significativo da incidência ou gravidade dos efeitos adversos associados à RT. Conclusão: A análise
dos estudos revelou que as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 não demonstraram influenciar, de forma significativa, a eficácia terapêutica nem a toxicidade associada à RT. Estes resultados reforçam o papel da RT como uma modalidade terapêutica eficaz e segura no tratamento da NM, incluindo em pacientes com predisposição genética.
O impacto da alimentação com FODMAPs nos efeitos secundários agudos da radioterapia externa na pelve: revisão de literatura
2025 - Isidoro, Maria José Silveira
Introdução: A pelve, estrutura anatómica crucial para diversas funções fisiológicas, é frequentemente alvo de radioterapia no tratamento de neoplasias malignas, o que pode resultar em efeitos adversos gastrointestinais significativos. Neste contexto, a dieta Low FODMAP (Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols) tem emergido como uma abordagem nutricional eficaz na mitigação de sintomas como diarreia, obstipação, flatulência e distensão abdominal. O presente artigo propõe uma análise integrada da inter-relação entre a anatomia pélvica, os efeitos da radioterapia e o impacto terapêutico da dieta Low FODMAP na gestão das toxicidades gastrointestinais induzidas pelo tratamento. Materiais e Métodos: Esta revisão sistemática, guiada pela metodologia PRISMA, teve como objetivo avaliar o impacto de uma dieta baixa em FODMAP na redução dos efeitos secundários agudos da radioterapia pélvica. A pesquisa, de natureza qualitativa, abrangeu a literatura científica publicada desde 2014, selecionada através de bases de dados como PubMed, ScienceDirect e Google Académico, com critérios de inclusão bem definidos e com foco na melhoria da qualidade de vida de doentes oncológicos, onde foram utilizadas palavras-chave como “Dieta FODMAP”, “Neoplasias pélvicas”, “Efeito secundário”, “Radioterapia”, "Qualidade de vida", interligadas pela lógica booleana “AND”, resultando nas seguintes pesquisas: “FODMAP diet” AND “Side Effect” AND “Quality of life”; “Pelvic neoplasms” AND “Radiotherapy” AND “Side Effect”; “Radiotherapy” AND “FODMAP diet” AND “Side Effect”; “Radiotherapy” AND “FODMAP diet”. Análise e apresentação de resultados: A introdução de uma dieta com baixo teor de FODMAPs
em doentes submetidos a radioterapia pélvica associa-se a alterações nos sintomas gastrointestinais frequentemente reportados durante o tratamento, como diarreia, distensão abdominal e desconforto retal. Observam-se variações na produção de gases, no volume retal, bem como na consistência e frequência das dejeções. Registam-se também alterações na composição da microbiota intestinal e na integridade da mucosa, sendo necessária monitorização contínua da adequação nutricional ao longo do protocolo dietético. Considerações finais: A dieta com baixo teor de FODMAPs revela-se uma estratégia nutricional promissora na mitigação dos efeitos secundários gastrointestinais agudos da radioterapia pélvica, com impacto positivo na qualidade de vida dos doentes oncológicos. A sua eficácia parece estar associada à modulação da microbiota intestinal e à diminuição da inflamação, reforçando o seu valor como intervenção complementar, desde que, implementada sob orientação nutricional especializada. A necessidade de mais estudos justifica-se pela heterogeneidade
metodológica e pelo reduzido tamanho amostral.
Implicações da automatização do cálculo dosimétrico em radioterapia: revisão sistemática da literatura
2025 - Pereira, Maria Marli Gomes
Introdução: A automatização tem assumido um papel cada vez mais relevante na radioterapia, especialmente no cálculo dosimétrico, um processo essencial para garantir a precisa o e a eficácia do tratamento. A radioterapia (RT), enquanto modalidade terapêutica fundamental no controlo de tumores, depende fortemente da exatidão na distribuição da dose de radiação. Normalmente o cálculo dosimétrico e realizado de forma manual, estando sujeito a variações interobservadores (IOV). Contudo, com o avanço tecnológico e a integração de sistemas automatizados e de inteligência artificial (IA), Machine Learning, Knowledge-Based Planning (KBP) e Multi-Criteria Optimization (MCO) em sistemas como o RayStation® e o Eclipse® permite a elaboração de planos mais rápidos e de qualidade. Este estudo tem como objetivo analisar as implicações da automatização no cálculo dosimétrico em radioterapia.
Metodologia: Este trabalho consiste numa Revisão Sistemática da Literatura, com base na metodologia PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). No desenvolvimento deste estudo de investigação o foram utilizados artigos de diferentes bases de dados científicas, motores de busca e bibliotecas eletrónicas, como a tipsRO, PubMed, Science Direct, Web of Science e IEEE Xplore e B-On, onde foi definido um espaço temporal entre 2010 e 2025. Recorreu-se a lógica booleana, combinando as seguintes expressões booleanas: (Automation) AND (Radiotherapy); (Automation) AND (Dosimetry) AND (Radiotherapy); (Dosimetry) AND (Radiotherapy); (Implications) AND (Automation) AND (Radiotherapy); (Process optimization) AND (Radiotherapy). Com aplicação dos critérios de inclusão e de exclusão obtiveram-se 29 referências bibliográficas.
Apresentação e discussão dos resultados: A análise revelou que a automatização melhora significativamente a eficiência e a precisão do planeamento dosimétrico, reduzindo o tempo de elaboração e a IOV. Os planos automatizados apresentam qualidade comparável ou superior aos planos manuais, com melhor cobertura tumoral e menor dose nos órgãos de risco. Porém, a automatização e especialmente vantajosa em técnicas complexas, como IMRT e VMAT, promovendo uma distribuição de dose mais homogénea e segura. Contudo, surgem preocupações em relação a diminuição da autonomia profissional e a dependência tecnológica.
Considerações finais: A automatização do cálculo dosimétrico representa um marco na evolução da radioterapia, proporcionando ganhos em precisa o, eficiência e reprodutibilidade dos planos de tratamento. A incorporação de sistemas como o RayStation® e o Eclipse®, contribui para melhoria na qualidade dos planos dosimétricos, mas exige supervisão profissional rigorosa e validação contínua dos algoritmos. Automatização o deve ser uma ferramenta de apoio e na o um substituto dos recursos humanos.