A contenção da pessoa com delirium: perspetivas éticas para um cuidado humanizado

Abstract

Abstract: The present study aims to analyze the ethical dilemmas that arise when applying restraints to patients suffering from neurocognitive disorders, specifically delirium. The practice of using restraints is subject to differing opinions, as, although it is intended to ensure the safety of both the patient and others, it raises ethical conflicts, challenging fundamental principles such as autonomy, dignity, beneficence, and non-maleficence. The application of restraints requires a delicate balance between protecting physical integrity and respecting the individual rights and values of the person being cared for, placing healthcare professionals in a constant dilemma about when, how, and under what conditions this intervention should be implemented.Delirium presents itself as a highly complex neurocognitive disorder, as it does not follow a linear progression and often varies in its manifestations. Episodes of intense psychomotor agitation are common in cases of delirium, which may compromise the safety of both the patient and others. Consequently, when all other alternatives have been exhausted, the use of restraints is often considered. As frontline healthcare professionals, nurses hold the responsibility of deciding when to apply this intervention. Therefore, developing alternative strategies to minimize agitation is essential. As a theoretical framework for this topic, Jean Watson's Theory of Human Caring was chosen, as it emphasizes holistic care based on empathy and respect for the person, considering all dimensions — mind, body, and spirit. This perspective reinforces the importance of person-centered care that goes beyond treating the disease itself, promoting dignity and overall well-being, even in challenging and complex clinical situations. A lack of in-depth knowledge about delirium, as well as preventive strategies and agitation management, may lead to the premature and sometimes inappropriate use of restraints, exposing the patient to both physical and emotional risks. In this context, the holistic approach advocated by Jean Watson offers a relevant contribution by promoting more humanized, person-centered care practices aimed at preserving the patient’s dignity and well-being, even in highly complex situations.
O presente estudo visa analisar os dilemas éticos que surgem aquando da aplicação do uso de contenção em doentes que padeçam de perturbações neurocognitivas, mais especificamente o delirium. Desta forma, a prática de contenção diverge em termos de opinião, pois apesar de ser utilizada para garantir a segurança tanto do utente como de terceiros, levanta alguns conflitos éticos, desafiando alguns princípios fundamentais como é o caso da autonomia, dignidade, beneficência e não maleficência. A sua aplicação envolve uma delicada articulação entre a proteção da integridade física e o respeito pelos direitos e valores individuais da pessoa cuidada, colocando os profissionais de saúde num constante desafio para decidir quando, como e em que condições esta medida deve ser aplicada. O delirium, apresenta-se como um transtorno neurocognitivo de alta complexidade, uma vez que que não é uma patologia de evolução linear, oscilando muitas vezes nas suas formas de manifestação. Em quadros de delirium é comum ocorrerem episódios de grande agitação psicomotora e, como tal, a segurança tanto da pessoa como de terceiros poderá ficar comprometida. Desta forma, e quando todas as outras alternativas tiverem sido esgotadas recorre-se, muitas vezes, ao uso de contenção. Sendo os enfermeiros os profissionais de saúde de primeira linha, é a esta classe de profissionais que cabe o poder de decisão de quando aplicar ou não esta intervenção. Assim a elaboração de algumas alternativas para minimizar a inquietação em causa, são essenciais. Como fundamentação teórica para o tema, foi escolhida a teoria do cuidar humano de Jean Watson, sendo que a mesma enfatiza o cuidado holístico com base na empatia e respeito pela pessoa, considerando todas as dimensões, mente, corpo e espírito. Esta perspetiva reforça a importância de cuidados focados na pessoa, que não se limitem a tratar apenas a patologia, mas que promovam a dignidade e o bem-estar global, mesmo em situações clínicas desafiadoras e complexas. A ausência de conhecimento aprofundado acerca do delirium e estratégias preventivas e de controlo da agitação pode contribuir para a utilização precoce e, por vezes, inadequada da contenção, expondo a pessoa cuidada a riscos, tanto a nível físico como emocional. Neste contexto, a abordagem holística defendida por Jean Watson constitui um contributo relevante, ao promover práticas de cuidado mais humanizadas, centradas na pessoa, e orientadas para a preservação da dignidade e bem-estar da mesma, mesmo em situações de elevada complexidade.

Description

Keywords

Contenção, Delirium, Enfermagem, Ética, Ethics, Nursing, Restraint

Citation

SANTOS, Diana Serrano dos ; LOURENÇO, João Diogo Domingues ; PAULO, Liana Morais (2025) - A contenção da pessoa com delirium : perspetivas éticas para um cuidado humanizado. Castelo Branco : IPCB. ESALD. Trabalho de projeto de Enfermagem.